quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Viadutos e Moradores de Rua Cidades Estudadas: Belo Horizonte e Londres

· Situações de maior interesse.

  • Como o grupo desenvolveu o tema?

Tópicos da discussão:

1. Londres: evolução urbana, reflexos da Revolução Industrial em questão das habitações.

2. Belo Horizonte: história, crescimento populacional, os moradores de rua.

3. Viadutos

3.1 Londres

3.2 Pelo Mundo

3.3 Belo Horizonte: Pesquisa

  • As correlações entre os contextos brasileiro, belo-horizontino e mundial.

A partir do tema, viadutos e moradores de rua o grupo relacionou o contexto histórico das cidades em questão, Belo Horizonte e Londres, com o quadro social e urbano de hoje.

Londres sofreu sua grande transformação logo após a Revolução Industrial devido à impulsão das fábricas têxteis, construção naval, engenharia civil e a mecânica pesada na revolução industrial. A cidade de Londres concentrou em seu pequeno centro uma grande massa de trabalhadores no século XIX. A esperança de emprego e moradia para suas famílias foram se tornando cada vez mais distantes, pois, a máquina tomava o lugar do homem.

No final do século XIX, quando Londres chega ao seu limite de degradação urbanística e social, são aprovadas leis que favorecem aos trabalhadores, desempregados, crianças e a cidade. Para diminuir o número de moradores de rua em Londres o governo inglês conta com programas sociais, iniciativas privadas e albergues.

Atualmente podemos encontrar dormindo nas ruas da capital Londrina cerca de 4,000 pessoas. Sendo 60% de nacionalidade Britânica.

Em Belo Horizonte, a evolução do capitalismo possibilitou crescimento populacional, relacionado aos deslocamentos migratórios em função da busca de emprego e renda.

Reconhecendo desde então uma crise habitacional, colaborando para o fenômeno social “população de rua”.

Como resposta ao crescimento desordenado e deficiência de políticas habitacionais, pessoas socialmente desfavorecidas e de menor poder aquisitivo recorrem às áreas menos valorizadas, por inexistência de infraestrutura básica e regularização fundiária.

Além da redução da oferta de trabalho e deficiência na prestação de serviços públicos ligados à economia e infraestrutura.

Os sem-teto trabalham como catadores de material reciclável nas ruas e nos lixões, lavando carros, com pequenos trabalhos artesanais e bicos dos mais diversos.

Atualmente em Belo Horizonte, existem cinco abrigos públicos, os quais possuem aproximadamente 800 vagas, onde oferecem cama, comida e local para higienização. Ex: Albergue Noturno na Lagoinha com aproximadamente 300 vagas.


1. Efeitos da Revolução Industrial nas ruas de Londres

O processo de urbanização decorrente da industrialização nasceu com as cidades no período da Revolução Industrial. Com ela, ocorreu um aumento da produtividade pelo uso de maquinário. Junto deste o acúmulo de pessoas no ambiente urbano, ocorreu uma saturação nas grandes cidades, que causou um problema para o poder público que repercute até hoje: o processo de segregação das populações carentes.

As cidades cresceram sem planejamento e a multidão em Londres, sujeita a péssimas condições de vida, se deteriorava juntamente com a cidade. A literatura da época relata seu estranhamento às casas insalubres grudadas umas as outras, as ruas infestadas de pessoas em condição degradante, das massas de miseráveis de todas as espécies. A pobreza que a multidão nas ruas revelava gerava espanto, indignação, fascínio e medo. Essas pessoas excluídas: mendigos, assaltantes, prostitutas, entre outros, representavam um risco a sociedade e sua estruturação em torno do trabalho.




Moradores de rua

  1. Moradores de Rua em Belo Horizonte.

Como cidade planejada, a capital mineira foi projetada a partir de uma divisão em três principais zonas: área central urbana, área suburbana e área rural, para que funcionasse como um sistema no qual a cidade não se expandiria indefinidamente. Porém, nas décadas seguintes, o crescimento populacional fez com que a cidade passasse por novos planos de expansão. Reconhecendo desde então uma crise habitacional como um pertinente problema social.

Como resposta ao crescimento desordenado e deficiência de políticas habitacionais, pessoas socialmente desfavorecidas e de menor poder aquisitivo recorrem às áreas menos valorizadas, por inexistência de infraestrutura básica e regularização fundiária. A falta de planejamento adequado no uso e ocupação do solo urbano faz com que pessoas com baixas condições de arcar com custos urbanísticos busquem ocupar ilegalmente áreas públicas e particulares, como por exemplo: os morros, viadutos e as ruas. Estima-se que sob viadutos e nas ruas da capital vivam aproximadamente 1,2 mil pessoas em condições de miséria, já que os programas de assistência que visam atender e abrigar essa população não atende a quantidade necessária para retirar todos dessa precariedade. 


Viadutos servindo como moradia

Relatório feito por Ana Claudia Irffi

Mobilidade Urbana Cidades Estudadas: Belo Horizonte e Nova Iorque

Como o grupo desenvolveu o tema?

Tópicos da discussão:


1. 1 Contextualização

2 . Análise das cidades estudadas:

2.1 Belo Horizonte: História urbana.

2.2 Nova Iorque: História urbana.

3. Alternativas eficazes

3.1 Cidade do México

3.2 Londres

3.3 Paris

3.4 Copenhague

4. Conclusão.


  • As correlações entre os contextos brasileiro, belo-horizontino e mundial.

A partir do tema, Mobilidade urbana o grupo relacionou a situação de Nova Iorque e Belo Horizonte destacando e comprando os meios de transporte em cada uma delas (Metrôs, ciclovias, ônibus, Trafego). Apontando as principais diferenças e características. O trabalho faz uma relação também com cidades que possuem alternativas eficazes que podem ser usadas no Brasil e em Belo Horizonte, como exemplo citaram a Cidade do México que por ter muito engarrafamento tiveram que investir no transporte público, além de ter leis de uso e ocupação do solo bastante rigoroso para construção de novos empreendimentos. Outro exemplo, foi a cidade de Londres que usou um meio de pedágio urbano para dificultar e diminuir a viabilidade do automóvel particular , diminuindo o transito. Já Paris, criou um projeto para melhorar a cidade para o futuro com proposta para mudanças no meio ambiente, transporte e arquitetura. Por último, citaram Copenhague que fizeram a inserção de vagões para ciclistas no metrô, possibilitando que cada individuo se locomova de forma dinâmica ,compartilhando de vários meios de transportes. Alguns Lugares do Brasil e Belo Horizonte usam alguns desses exemplos e o grupo relacionou essas cidades com o que acontece aqui.


· Situações de maior interesse.

1. Metrôs e ciclovia em Belo Horizonte.

O número de habitantes foi muito maior do que o planejado na construção da metrópole o que acelerou muito a urbanização na cidade. Atualmente Belo Horizonte conta com 19 estações de metrô e atende e a capacidade de 1030 passageiros. Os principais problemas são que o metrô é pequeno, tem pouca demanda e não atende a todas as regiões. Há projetos pra investimentos no aumento e melhoria no transporte em Belo Horizonte.

Outro meio usado para transportar na metrópole são as bicicletas. Ciclovias estão sendo construídas pra melhor atender aos ciclistas. A expectativa que no final de 2012 a cidade contará com 150 km de ciclovias.


Estação de Metrô

Trafego em Nova Iorque

Mesmo possuindo um sistema enorme e extensivo de vias públicas e vias expressas, Nova Iorque não está livre dos problemas de trânsito. Nova Iorque é considerado um dos lugares mais congestionados do mundo. Seis de cada dez pessoas usam ou transporte público ou vão a pé para o trabalho, o meio de transporte coletivo mais eficaz é o metrô.

Congestionamentos, estacionamentos e pedágios caros, dificuldade para estacionar são frequentes na cidade, por esses motivos mais de 65% da população não possuem carro e contam com um excelente sistema de transporte público.

Trânsito em Nova Iorque

    Metros em Nova Iorque

    Relatório feito por Carla Moreira

    segunda-feira, 21 de novembro de 2011

    Saneamento Básico + Favelas e Produção de Novos Arranjos Territoriais - Cidades estudadas: Belo Horizonte e Lagos (Nigéria)

    Como o grupo desenvolveu o tema?

    Tópicos da discussão:

    1. A cidade e seus derivados
    2. Programa Vila Viva BH
    3. Vila São José
    4. Lagos e suas estruturas Governamentais
    4.1 Oshodi
    4.2 Economia
    4.3 Mega-cidade
    5. Pântano da Lagos

    As correlações entre os contextos brasileiro, belo-horizontino e mundial

    Com base na análise do tema, Saneamento Básico + Favelas e Produção de novos Arranjos Territoriais, podemos ver a contrariedade de relações do Brasil, Belo Horizonte e Lagos, na Nigéria. Belo Horizonte, como outras cidades brasileiras, caminha para um futuro melhor e de desenvolvimento. Diversos Programas Governamentais já estão sendo aplicados em várias comunidades/favelas e a melhoria já é bastante notável. A população brasileira se desenvolve aos poucos e o nível de qualidade de vida só aumenta, ao contrário do que vemos em Lagos. Lagos mostra escancaradamente a diferença social existente na cidade. A pobreza é enorme e a população sofre por um desenvolvimento e melhoria na qualidade de vida e habitação. É vergonhoso ver uma desigualdade tão à mostra, onde não há pavimentação, não há saneamento e a população só cresce. Somente nos dias atuais o Governo tenta estabelecer vias de transporte público, o que já deveria existir a tempos. Programas como os do Brasil devem servir de exemplos para outros Governos, assim como a Vila Viva e outros.

    Situações de maior interesse

    1. Oshodi, o mercado
    Localizado em meio a viadutos, o mercado Oshodi é o mais movimentado mercado de toda Lagos. Local para se comprar de tudo, está sempre muito movimentado e com fluxo gigantesco de pessoas e veículos por dia, o que causa enorme congestionamento na região. Além de diversas e variadas mercadorias, encontramos muita pobreza, lixo espalhado por todos os lados e uma grande desorganização. Encontramos de água a verduras para ogu (molho tradicional), cartões de telefone, tábua de passar roupa, gravatas, refrigerantes, quitutes, frutas, jornais, rodelas de banana fritas, estilingues, salada de fruta e muito mais vendendo no mercado Oshodi, tudo cozinhando ao sol de 38 graus


    .


    2. Desigualdade em Lagos
    Está totalmente à vista a desigualdade social existente na cidade de Lagos. Muitas são as cidades africanas que passam por isso, mas já se passou da hora de tomar alguma atitude perante a tudo isso. Condomínios luxuosos, carros caros e mansões com dimensões a perder de vista, estão escancaradas em Victoria, lado rico da cidade. Como não notar que um lado não há calçamento, saneamento básico e do outro há tanta riqueza? É absurda a atual situação e melhorias não aparecem para ajudar a população.

    A favela Makoko é um grande exemplo de população esquecida pelo Governo. Não há saneamento básico e entre as casas e lojas há um canal fétido onde desembocam as fossas negras utilizadas pelas pessoas que ali vivem. A contaminação é total, e em período chuvoso, só piora toda a situação. Até quando isso irá durar ninguém sabe, mas já se passou da hora de alguma melhoria por parte do Governo e a população precisa saber cobrar isso, já que em 2015 Lagos será a 3° maior cidade do Planeta.







    Postado por: ELIZANE REIS







    sábado, 19 de novembro de 2011

    Favelas e Saneamento Básico - Cidades estudadas: Rio de Janeiro e Belo Horizonte

    Como o grupo desenvolveu o tema?

    Tópicos da discussão:


    1. Introdução geral; Surgimento de favelas:
    Êxodo Rural·
    Crescimento desordenado·
    Especulação Imobiliária
    2. Gráficos; Favelas pelo Mundo
    3. Belo Horizonte
    3.1 Falta de planejamento com os operários da construção da capital
    3.2 Surgimento das favelas
    3.3 Favelas da capital
    4. Rio de Janeiro
    4.1 Surgimento das Favelas;
    Guerra de Canudos;
    Modernização da cidade;
    Êxodo; Especulação;Crescimento desordenado
    4.2 Favelas Cariocas
    4.3 Auto Construção
    5. Saneamento Básico em Belo Horizonte
    6. Saneamento Básico Rio de Janeiro
    7. Políticas de Intervenção

    As correlações entre os contextos brasileiro, belo-horizontino e mundial

    A partir do tema, Favela e Saneamento Básico, o grupo correlacionou Belo Horizonte e o mundo através de seus contextos históricos. Após a Revolução Industrial, com todos os acontecimentos, o mundo passou a ter uma nova visão perante o crescimento e a urbanização. A Revolução impulsionou não só a Europa, mas todos os outros países com visão de desenvolvimento, progresso e evolução.O “rural” desejou as cidades, o êxodo começou, então, a crescer cada vez mais. Os crescimentos das cidades ficando cada vez mais incontrolável e as pessoas, assim, sem terem para onde ir. Belo Horizonte, Brasil e o mundo, todos seguindo os mesmos acontecimentos, diferenciados apenas por suas datas.As favelas surgindo cada vez maiores, a falta de organização, a miséria e a falta de condições mínimas de sobrevivência e habitação. Isso e muito mais só piora a atual situação mundial. Não só no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte, mas por todos os lugares, seguir políticas de intervenção ajudaria na melhoria de vida dos menos favorecidos e assim, tentaria solucionar alguns dos problemas que as favelas enfrentam no Brasil e no mundo.

    Situações de maior interesse

    1. Vila Viva
    O Programa Vila Viva é um grande exemplo do que deveria ocorrer em todas as favelas. É um programa que engloba obras de saneamento básico, construção de
    casas habitacionais, erradicação de áreas de risco e muito mais. Após o término da urbanização as escrituras dos lotes são entregues aos ocupantes. Nada mais digno e justo do que um programa com tanta melhoria de vida para essas pessoas, sem condições financeiras e que vivem a tanto tempo na miséria.

    São programas assim que deveriam haver por toda parte. No Rio de Janeiro, as UPP (Unidade de Policia Pacificadora), são um grande exemplo de programa bem sucedido. Já pacificaram duas das maiores favelas cariocas. Hoje são favelas tranqüilas e os moradores podem viver sem ordem de nenhum traficante. Não há mais violência e nem bandidos. Aos poucos o mundo vai caminhando e aos poucos as melhorias vão surgindo.



    2. O que são as Favelas
    As Favelas são, em sua essência, assentamentos espontâneos e nada convencionais. Surgiram aos poucos e, hoje, são inúmeras as existentes. Ocupam áreas de domínio Público ou particulares que foram abandonadas e, em sua maioria, terrenos irregulares onde não poderia haver casas. As pessoas que ali moram são da classe pobre da população e passam por várias dificuldades.

    As casas construídas são conhecidas como “auto construção”, feitas pelos próprios moradores e com matérias algumas vezes precários. Muitas casas ao menos são de alvenaria, as pessoas utilizam o que podem e papelão também aparece por diversas casas na favela. Como se já na fosse suficiente a carência de serviços básicos de habitação e sobrevivência, os moradores sofrem muito com traficantes e outros bandidos que dominam e tomam conta de toda a favela. Hoje, no Rio de Janeiro, a maior parte está pacificada e fora de perigo, mas são muitas as que ainda precisam de auxílio do governo para, então, poderem viver uma vida melhor e mais tranqüila.












    Postado por: ELIZANE REIS





    quarta-feira, 14 de setembro de 2011

    A ALEGORIA DO PATRIMÔNIO - Parte 1

    Patrimônio, na origem, é uma palavra ligada as estruturas familiares, econômicas e jurídicas de uma sociedade estável, enraizada no espaço e no tempo, e pode estar associada a origens genéticas, naturais, históricas, etc. Mas o que interessa, aqui, é o patrimônio histórico, cuja expressão indica um bem destinado ao usufruto de uma comunidade que se ampliou a dimensões planetárias, constituído pela acumulação contínua de uma diversidade de objetos que se congregam por seu passado comum.

    Entre todos os bens que englobam essa importante expressão, o patrimônio histórico representado pelas edificações é aquele que mais se relaciona com a vida de todos. A partir da década de 1960 os monumentos históricos representam parte de uma herança que não para de crescer com a inclusão de novos tipos de bens e com o alargamento do quadro cronológico e das áreas geológicas no interior das quais esses bens se inscrevem.O domínio patrimonial não se limita apenas aos edifícios individuais (igrejas, castelos, etc.); ele agora também compreende o entorno urbano e as edificações que os cercam.

    Hoje existem Comissões dos Monumentos Históricos, primeiramente criada na França, que estabeleceram critérios e uma tipologia para não deixar escapar nenhum testemunho historicamente significativo, já que muitos monumentos foram demolidos ao decorrer dos anos. Essa medida proporcionou uma melhor noção de monumento histórico e as práticas de conservação que lhe são associadas. Contudo, o entendimento das práticas de conservação não deixam de apresentar algumas contradições. A melhor qualificação do monumento começa a provocar inquietação e trouxeram efeitos negativos do turismo, Florença é um exemplo, custo de manutenção, inadequação aos usos atuais e paralisação de outros grandes projetos de organização do espaço urbano são outros problemas causados pela conservação dos monumentos históricos. Além disso, menciona-se inovar e a filosofia da destruição que, ao longo dos anos, fizeram novos monumentos sucederem os antigos. Na França, a tradição de destruição construtiva e de modernização, dão provas a essas modificações, servindo atualmente de justificativa a grande número de autoridades para sua oposição aos pareceres dos arquitetos dos edifícios franceses, das Comissões dos Monumentos Históricos e dos setores sob proteção do Estado.

    Os arquitetos invocam o direito dos artistas a criação, desejando marcar o espaço com suas obras e defendem que ao longo dos anos os estilos também coexistiram justapostos e articulados, numa mesma cidade ou num mesmo edifício. Os proprietários, por sua vez, reivindicam o direito de dispor livremente de seus bens para deles tirar o prazer ou o proveito que bem entendam. Contudo, as ameaças constantes que pesam sobre o patrimônio não impedem um amplo consenso em favor de sua conservação e de sua proteção, que são oficialmente defendidas em nome dos valores científicos, estéticos, memoriais, sociais e urbanos, representados por esse patrimônio nas sociedades industriais avançadas.

    terça-feira, 30 de agosto de 2011

    Passado invade o presente

    A concepção urbana contemporânea não foge muito dos aspectos apontados por Maria Stella Bresciani, em LONDRES E PARIS NO SÉCULO XIX. Com o passar das décadas e séculos o espaço da cidade é transformado de acordo com o que o capitalismo e o estado exigem a fim de manipular a cidade urbana e a produção do espaço controlado. O fato é que muitas vezes as políticas implantadas não conseguem atingir de maneira satisfatória todas as classes sociais, e desta maneira as classes mais pobres acabam por se sentir excluídas das políticas urbanas.
    Desde os bairros pobres de Londres e Paris do século XIX até as favelas no Brasil no século XXI a pressão de pensamento sob essas pessoas menos favorecidas de que elas estão sendo enganadas pela sociedade enriquecida e pelas políticas urbanas gera um descontentamento geral levando a insatisfação e a revolta. Dessa maneira, excluída do mercado de trabalho, cada vez mais exigente, esse população se marginaliza e, com o tempo, tende a se revoltar.
    As revoltas de Londres na metade do século XIX não fogem muito das revoltas do século XXI. Antes, a Revolução Industrial foi o acontecimento que trouxe várias transformações no padrão de produção, qualificação de trabalho e mudanças nas cobranças e formas de trabalho e, hoje, é a Revolução Tecnológica que traz as mesmas mudanças só que em aspectos e amplitudes diferentes. O problema é que o desenvolvimento dos meios de produção não e acompanhado do desenvolvimento da qualificação da mão de obra do trabalhador, e, assim, esse é expulso do meio ao qual ele não se encaixa mais. O descontentamento da classe pobre, discriminada, é um fator determinante para que essa multidão organize jornadas revolucionárias.
    Os conflitos de Rua em Londres em Agosto neste ano de 2011 é um exemplo que as revoltas se entendem por séculos. Os incidentes são imitações de atividades criminosas, que começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, 29. A vítima seria pai de quatro filhos e popular na comunidade em que vivia. A onda de violência atingiu Londres durante três dias. Jovens saquearam lojas, agrediram policiais e colocaram fogo em veículos e prédios, levantando questionamentos sobre a segurança antes dos jogos olímpicos de 2012. Isso reafirma o quanto essa parte da população já estava asfixiada por não se sentir amparada pelas políticas locais e encontraram uma maneira para serem “vistas” pelo parlamento londrino que devem discutir medidas para acalmar essa massa da população.

    Mapa mostra locais com tumulto em Londres:

    Editoria de Arte/Folhapress




    Exemplo que esses conflitos sociais são antigos, as cenas em Tottenham evocaram memórias de severos conflitos que causaram estádio de sítio em Broadwater Farm, em 1985, quando uma mulher foi morta após a polícia atacar a sua casa.
    Um quarto de século depois, com a economia britânica crescendo pouco e com cortes governamentais nos gastos públicos atingindo áreas de alto desemprego, como Tottenham, alguns moradores dizem que viram a semente de mais distúrbios.
    Osagyefo Tongogara, um ativista comunitário que estava em Tottenham durante os conflitos de Broadwater Farm, disse: "Há muitos paralelos com 1985. Eu não chamo isto de conflito, chamo de rebelião."
    Não há como responder de quem é a culpa por esses conflitos urbanos, talvez não seja uma pessoas específica, mas o ideal que carrega as políticas atuais e essas planejam de maneira incorreta o espaço urbano das cidades.


    FONTE: BRESCIANI, Maria Stella. Londres e Paris no Século XIX, o espetáculo da pobreza. Editora: Brasiliense

    Londres e Paris no século XIX

    De acordo com o texto de Maria Stella Bresciani, LONDRES E PARIS NO SÉCULO XIX, a multidão presente nas grandes cidades de hoje está ligada às pessoas se deslocando para desempenhar seu papel no espetáculo da vida cotidiana. É necessário ter o olhar apurado para entender o espaço, as instituições, leis, mecanismos de gestão que levam a comunidade a agir de certo modo na época atual, com toda a multiplicidade de tempos e processos sócio-espaciais manifestados nas grandes cidades.

    O acaso é a incerteza do que se pode acontecer e encontrar nas ruas desses centros urbanos. Paris na metade do século XIX configura um espetáculo diurno, em que a multidão trabalhadora forma uma predominante cena urbana. Os personagens da noite são outros, de criminosos até prostitutas à noite na metrópole francesa tornam o acaso temeroso e assustador.

    “Viver numa grande cidade implica o reconhecimento de múltiplos sinais. Trata-se de uma atividade do olhar, de uma identificação visual, de um saber adquirido, portanto.” (pag.16)

    Londres na metade do século XIX, com dois e meio milhões de habitantes, se mostrava promiscua, diversa e agressiva. Configura-se o fascínio e o medo de uma cidade que pode oferecer diversão e/ou pouca ou nenhuma compaixão. Poucos dias na cidade bastam para perceber o que o crescimento urbano na sociedade londrina causou efeitos devastadores. A indiferença brutal e o isolamento de cada cidadão voltado aos seus interesses estão resultando em guerras sociais abertamente declaradas.

    Os bairros ricos de Londres caracterizam-se pela sua centralidade, com ruas largas e bem iluminadas, freqüentadas pela alta sociedade londrina. Já nos bairros pobres se encontram massas de casas de três a quatro andares, construídas sem planejamento, em ruas estreitas, sinuosas e sujas, abrigando parte da população operária. As péssimas condições de moradia e a superpopulação são as duas principais anotações sobre os bairros operários londrinos, levando a uma ameaça social, já que o investimento econômico em melhorias nas condições de vida para esses cidadãos é pequeno. O operário londrino ao tomar consciência da sua situação, e ainda competindo no mercado de trabalho em condições desvantajosas com o imigrante, tende a protestar.

    O espantoso crescimento populacional da cidade de Londres não foi acompanhado por um crescimento equivalente das oportunidades de trabalho. A Revolução Industrial trouxe várias transformações no padrão de produção, qualificação de trabalho e mudanças nas cobranças e formas de trabalho. Uma instabilidade no mercado de trabalho acentuou a exploração dos trabalhadores forçando-os a residir nas proximidades do centro para a busca de trabalhos ocasionais extras. Essa superpopulação centralizada, que leva ao deslocamento de bairros, é causa, principalmente, da falta de transporte barato e eficiente, trazendo a essas áreas péssimas condições sanitárias das moradias. O alto nível de desemprego persiste e os desempregados organizados ocasionam tumultos. Londres vai se tornando, portanto, o símbolo das más conseqüências da vida urbana e da industrialização. Nela podem se acomodar desde mendigos ate os esbanjadores de dinheiro.

    Assim, Londres se torna o símbolo do resíduo social, onde se encontram os homens que estão “fora da sociedade”.

    A população de Londres duplicou entre 1821 e 1851, isso fez com que o espetáculo das ruas tomasse proporções assustadoras. A pobreza escancarada mostra uma assustadora realidade. Na época, homens trabalhadores, pobres e criminosos constituem níveis de uma mesma condição humana. As condições dos operários eram realmente precárias, viviam na incerteza de um salário e isso chamava atenção dos habitantes que reparavam na cena urbana das grandes cidades, como Londres e Paris. Entre os ingleses se computa o custo econômico da miséria, já entres os franceses a preocupação fica na ameaça do que miséria pode causar nas as instituições políticas. Se a política tivesse previsto que, no dia em que a massa dos miseráveis estivesse mais forte do que aquela dos ricos, a sociedade iria se reorganizar de forma diferente, privilegiando a massa que comanda a sociedade urbana, no caso, a classe operária.

    A França do século XIX se orgulha da multidão organizada na escala local e só a imagem de algumas jornadas revolucionárias geram temor, já que essas causariam uma desorganização da civilização.

    Era possível perceber a asfixia ocasionada pelo ar muito carregado de insatisfação e, isso, introduzia a certeza de que um movimento revolucionário estaria para acontecer.

    O que dirige uma sociedade urbana é a questão social e um movimento revolucionário propunha alcançar a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, idéia imposta pela Revolução Francesa que, hoje, entende-se que seu acontecimento foi uma necessidade histórica.

    A compaixão foi o novo sentimento determinante para o sucesso da revolução e para compreender a mudança na própria concepção do povo, inclusão dos pobres, agora, era um dever político plenamente racional e devia-se formar uma comunhão de interesses para a formação dos novos ideais políticos. Assim, a política passa a ter um compromisso com o povo, sujeito único de sua legitimidade, prevalecendo à vontade geral.

    Nisso se contrasta as transformações urbanas e caracteriza a reconversão na época. Estudando e entendendo o desenvolvimento da sociedade ao longo dos anos pode-se compreender que o território projeta aquilo que o social define a ele. Isso é imposto pelas condições históricas do momento, o qual determina o poder absoluto que transforma a comunidade de acordo com aquilo que acredita. Além do mais, manifestações culturais, serviços religiosos, monumentos, trocas no mercado, o amparo e o suporte das vidas cotidianas também são fatores que determinam como um espaço irá se transformar.

    O fator histórico determinante para essas mudanças no século XIX foi a Revolução Industrial, que exigiu a construção de indústrias e a mudança no planejamento das cidades, já que a população urbana aumentava cada vez mais e era necessário o investimento em maior infra-estrutura para acompanhar o desenvolvimento urbano. O grande problema foi que a proporção dos acontecimentos em tão pouco tempo não foi acompanhando pelas políticas de transformação das cidades e muitas pessoas, classes pobres, não acompanharam as mudanças. Essas classes são predominantes em número, então elas são os principais personagens que irão determinar o rumo das mudanças urbanas. Como o planejamento urbano não releva isso e não cria maior infra-estrutura para atender as necessidades da população, esta cria o próprio espaço, mesmo que de maneira desorganizada.

    A multiplicidade de tempos e processos sócio-espaciais manifestados no entorno das cidades determina a necessidade de certas reconversões que podem ser seguidas ou não.

    Por Ana Claudia Irffi e Carla Moreira

    FONTE: BRESCIANI, Maria Stella. Londres e Paris no Século XIX, o espetáculo da pobreza. Editora: Brasiliense